INFLUENCIADORES DIGITAIS SÃO TRABALHADORES CULTURAIS? UMA DEFINIÇÃO PELA ECONOMIA POLÍTICA DA COMUNICAÇÃO

  • Autor
  • Luana Matos do Nascimento
  • Resumo
  •  

    Os influenciadores digitais surgiram na internet como pessoas comuns que davam dicas de moda, filmes ou falavam sobre assuntos que tinham algum domínio. Até começarem a se profissionalizarem, atuando com agências de publicidades e fechando parceria com marcas, se distinguindo de usuários comuns. Além disso, Emily Hund (2023) salienta que essa profissão foi ganhando contornos significativos até ocasionar impactos ideológicos, influenciar como votar, criar filhos e cuidar de si. Quando revisitamos a bibliografia (Hund, 2023; Karawhi, 2017; Arriagada, 2025) sobre esses novos profissionais, uma característica se destaca de forma unânime: são pessoas que possuem audiência e engajamento nas redes sociais. Alguns pesquisadores (Karawhi & Parazeres, 2022; Matos, 2020) já destacam como esses profissionais têm desenvolvido transtornos psicológicos pela pressão das plataformas de redes sociais.

    Isso porque se sentem obrigados a atender métricas e a lidar com algoritmos – os quais possuem pouco ou nenhum domínio (Bishop, 2025) – para manterem suas audiências. Diante disso, o presente artigo busca compreender o que são os influenciadores digitais à luz da Economia Política da Comunicação (EPC), tendo em vista que a teoria vem cada vez mais se dedicando a compreender (i) o papel da audiência na indústria cultural e (ii) as formas de trabalho com o avanço das plataformas.

    A partir disso e de uma análise documental de pesquisas de agências de influenciadores (v.g., Wake, 2025; Brunch & YouPix, 2025) e dos programas de criadores de conteúdo do Youtube e Instagram, avaliou-se a possibilidade desses profissionais estarem na interseção de dois conceitos recorrentes na EPC: Trabalhador Cultural (Bolaño; Bastos, 2020) e Trabalhador de Plataformas (Grohmann, 2020). Isso porque, uma característica fundamental do trabalhador cultural é “produzir uma audiência apta a receber, entender e reagir às mensagens da propaganda e da publicidade” (Bolaño & Bastos, 2020, p. 181) tendo o seu trabalho subsumido pelo Capital.  E o trabalhador de plataforma tem como características: atuar nas plataformas, precisando lidar com métricas, lógicas algorítmicas, dataficação e uma racionalidade empreendedora.

    Como Hund (2023, p. 8) explica, foi a busca por uma estabilidade, autonomia e realização profissional não encontrada em outros espaços que fez surgir uma indústria com

     

    sistema de valores que promoveu a erosão das fronteiras entre a vida interior dos indivíduos e o comercialismo, pedindo-nos para nos vermos como produtos perpetuamente prontos para o mercado, as nossas relações como monetizáveis e as nossas atividades diárias como potenciais experiências de compra (tradução livre).

     

    Ou seja, foi a precarização profissional, consequência da crise de 2008, que gerou a migração para uma profissão que busca monetizar as relações, as atividades diárias sob o véu de que não há trabalho. A despeito disso, tanto as pesquisas acadêmicas como as de mercado (Karawhi & Parazeres, 2022; Wake, 2025; Matos, 2020; Brunch & YouPix, 2025) mostram que há uma insegurança quanto à remuneração, jornada de trabalho e manutenção de sua própria audiência. Nesse contexto, este trabalho traz os conceitos da EPC para elucidar essa nova dinâmica.

     

  • Palavras-chave
  • Influenciadores digitais; Trabalho; Plataformização
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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